• Tubo de imagem, plasma ou LCD Soundsystem?

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    LCD Soundsystem – This Is Happening, dito o último disco da banda, epitomiza tudo o que não nos fará sentir falta da banda nova-iorquina

    Ah, nada como o cheiro de napalm pela manhã… e um novo cd do LCD Soundsystem. Analogias à parte, ambos são coisas completamente descontextualizadas que parecem ser apreciadas por um grupo muito particular de indivíduos. No caso do napalm, militares doidos do Vietnã de Coppola. No caso do LCD Soundsystem, bem, toda a galera hypada e muderna que lota os barzinhos da Augusta.

    Sem ofensas, mas esse é o mesmo pessoal que acha o Copacabana Club o máximo. O fato de James Murphy, que é, em termos, o LCD Soundsystem, ter criado um dos selos que fez ressurgir das cinzas a cena dance alternativa nova-iorquina (o DFA) não ajuda. Ou melhor, ajuda. Ajuda a encobrir o fato de que a música do LCD simplesmente não passa de teclados dispostos em arranjos clichês que, por vezes, têm um bom senso de batida, por outras, têm uma boa noção de progressão. Sinceramente, até onde a DFA me consta, o grande talento da gravadora é o Tim Goldsworth, que produziu, só em 2008, o excelente debut do Hercules and Love Affair e o sublime In Ghost Colours, do Cut Copy – e até mesmo Tim deu um jeito de cair fora do time, a propósito.

    Como é de praxe em todo lançamento do LCD, tem uma música aqui que vai grudar na cabeça até do mais cético. No primeiro cd, era "Daft Punk Is Playing at My House" (MY HOUSE!), belo exemplo de música que cita uma banda famosa pra chamar a atenção. Esse truque funcionou com o fraquinho The Wombats (?) e sua "Let’s Dance to Joy Division" mas não os poupou da rápida e subsequente obscuridade. No segundo, era "North American Scum". Neste novo, This Is Happening, a que se salva é realmente "Dance Yrself Clean", que tem uma bassline combinando com um dedilhado leve no teclado que é uma delícia, mas isso só fica claro nos três minutos do meio da música. Os três que os antecedem e os três que os sucedem são praticamente estáticos…

    Ainda há o fato de que James Murphy não sabe cantar e você simplesmente sabe que alguém com tantos contatos como ele poderia trazer uns vocalistas interessantes. São os vocais dele que tornam o dance punk de "Drunk Girls" ainda mais sem graça. O auge de falta de inspiração chega na dobradinha "Pow Pow" e "Somebody’s Calling Me", quase no final do cd. "Pow Pow" se demora repetindo o que para nós, lusófonos, é meramente uma gíria para "pênis" (olhe o título) sobre uma batida disco manjadíssima e "Somebody’s Calling Me" sampleia o tom de um telefone ocupado e o mantém como base de uma baladinha que se arrasta durante seus 7 minutos de duração.

    Murphy diz que pretende que este seja o último álbum como LCD Soundsystem, o último antes de abraçar novos sons, sob alguma outra alcunha, deixando os hipsters totalmente desesperançados sem o querido LCD. Não que isso seja um problema: o resto de nós provavelmente estará dançando ao som de alguma coisa do David Guetta… ou cheirando napalm.

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    Adora chuva, cheiro de livro novo e drinques coloridos. Cursa direito e jornalismo, o que lhe traz alguns conflitos existenciais. Não consegue ficar uma semana sem ouvir pelo menos duas bandas novas e só se imagina fora do ambiente urbano num pesadelo daqueles bem chocantes. Curte o Twitter mas não vê ponto no Formspring. - Leia outros textos de

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