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    Cartas na rua, com Renata Ferri – A colunista fala sobre como é nostálgico, nos dias de hoje, escrever um texto usando lápis ou caneta

    Na adolescência, eu trocava cartas com uma vizinha, ela morava na casa ao lado. Colocávamos a correspondência na caixa de correio uma da outra, endereçada, com CEP e talvez até selo, mesmo considerando que podíamos simplesmente dizer o que tínhamos pra dizer ali, ao vivo, ao tocar a campainha. Claro que tudo isso era uma grande bobagem, mas estávamos em busca de um tipo específico de adrenalina que só é liberada quando sabemos que alguém teve o trabalho de nos enviar algum manuscrito pelo correio (ou fingir que enviou, como era o caso).

    O mundo ganhou agilidade, objetividade e eficácia quando grande parte da comunicação a longa distancia passou a ser feita através do e-mail. Sem falar nas árvores que deixaram de ser destruídas para a fabricação do papel. Sem falar na rotina dos carteiros que diminuiu intensamente, permitindo que alguns até mesmo cultivem uma barriguinha de chopp. Sem falar que a tal vizinha se mudou pra longe e, ironicamente, a gente nunca mais se escreveu.

    As pessoas estão tão digitalizadas que nem lembram mais como é a própria caligrafia. E como ficam as pessoas que, por rebeldia, não pingavam seus “is”? Será que as respostas das provas de colégio ainda são escritas à mão em papel mimeografado? E essa nostalgia estranha que de repente, não mais que de repente tomou conta do meu texto?

    Não dá mais pra escrever um bom texto usando caneta e papel. E se eu achar que esta frase fica melhor se colocada no parágrafo de cima? Rabiscar, usar borracha, reescrever, selecionar, copia e cola. Eu amo o Word. Mas hoje em dia, dos correios, só recebo contas e pacotes do mercadolivre.com.

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    Jornalista, apaixonada por cultura, viagens e literatura. Tem vários cachorros. É cosmopolita e também apreciadora da natureza. Se considera cidadã do mundo e quer sempre conhecer mais sobre diferentes culturas e opiniões. Siga no Twitter ou visite seu blog, Ótimas Mentiras. - Leia outros textos de

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