• Juliet, Nua e Crua com o primor de Nick Hornby

    nick_hornby

    Nick Hornby – Sexto romance do escritor talvez seja considerado uma de suas mais significativas obras

    Sem contar o primeiro livro, Febre de Bola (uma não-ficção de 1992), o debut romanesco de Nick Hornby com Alta Fidelidade, em 1995, foi relevante o suficiente para fazer com que, de forma fugaz, o autor assumisse o cânone de “voz da juventude de seu tempo”.

    A versão do livro levada ao cinema por Stephen Frears (com John Cusack no papel do protagonista Rob e Jack Black como seu ajudante numa loja de discos) com certeza ajudou a elevar o índice de exposição midiática da obra a níveis consideráveis, sendo que esta já continha elementos que denunciavam o devir criativo do autor, comprovado em trabalhos posteriores.

    Um Grande Garoto e Slam também podem ser consideradas obras consideravelmente relevantes em sua bibliografia. Mas talvez, em termos de composição propriamente dita, apostaria que seu mais recente livro, Juliet, Nua e Crua, será lembrado como referência autoral.

    Aliás, arriscaria até a afirmativa de que o romance poderia tomar o lugar de Alta Fidelidade no topo da cadeira criativa “Hornbyana”, sobretudo por conter em si um aspecto fundamental de clássicos literários: a proximidade com o leitor.

    Duncan é tudo o que se espera de um protagonista de Nick Hornby, um homem de meia-idade com traços quase adolescentes e uma fissura por um astro da música pop lado B. Soa clichê, e o é. Não estranhe, Hornby utiliza o lugar-comum para gerar identificação.

    O “rapaz” tem uma obsessão incontrolável por Tucker Crowe, músico longe dos palcos há quase duas décadas. Após sumiço misterioso no meio de um show, um grupo de admiradores – tão obsessivos como Duncan – espalham-se pelo mundo criando um “culto” virtual.

    Annie, esposa de Duncan, acaba por ter sua vida conjugal quase totalmente vivida em virtude da obsessão do marido. Daí, um episódio gera reviravolta na trama e o casal se vê sob uma situação no mínimo inusitada.

    Partindo do pressuposto matrimonial, e narrando a vida de um casal jovem como tantos outros, Hornby consegue sintetizar aspectos globais de seu tempo, como a utilização da internet e sua interferência em relacionamentos; a busca por oportunidades empregatícias longe de centros urbanos e uma nova concepção do tradicional núcleo familiar.

    Somam-se a isto outros pontos substanciais. A leitura de Juliet, Nua e Crua é, em sua cadência, extremamente prazerosa, com períodos bem construídos e envolventes. A construção narrativa em múltiplas perspectivas também colabora no interesse pela leitura.

    Enfim, reiterando a afirmativa de que talvez esta seja, de fato, a obra singular do autor, ler este trabalho se faz imprescindível na medida em que ele articula-se não somente por ser icônico se comparado a outros livros deste autor, mas também por retratar primorosamente nosso tempo.

    Mais de: Literatura, Review

    Assuntos relacionados: ,

    detalhes

    Conheça mais sobre Juliet, Nua e Cua no site da editora Rocco.

    autor

    Curte bares discretos, livrarias e feriados prolongados e vazios. É Jornalista, amante de literatura, música e tecnologia. Siga-o no Twitter ou no Facebook.  - Leia outros textos de

    Deixe seu comentário






    (*)campos obrigatórios.

    Editorias

    A POP4 é uma revista de crítica de cultural e entretenimento. Surgida a partir do projeto Opperaa - 2008