• Laisse tomber les filles

    yedi

    Um mergulho na mente de Yedi

    Yedi tocou os lábios dele e percebeu que tinha a mesma temperatura que os seus: vinte graus. Com os olhos esbugalhados, a pupila de Yedi brilhava como uma estrela saindo pelo cu das nuvens. Era sua lente que tinha caído no chão. Perdia ali vinte graus de astigmatismo. Nem por isso deixou de enxergar qualquer coisa de ultra-romântico em Yago. Garoava, e o frio da garoa prolonga ainda mais a noite, mais que o próprio frio do inverno. 

     
    Yago cantou Charles Trenet até que sua íris fosse invadida pelo lusco-fusco do céu das nuvens dos olhos de Yedi. Ele resenhou trechos de sua vida bem ali na Liberdade. Ofereceu pontos de vista sobre Bertolucci e Woody Allen. Sem nada em troca. Claro, além da imaginação de vê-la nua. Ele a via sem que ela pudesse imaginar. Embora ela também imaginasse o mesmo.

    - Yedi, tenho que declarar algo.

    - Eu adoro Vinicius de Morais

    - Não é isso. É sobre o Max

    - Nosso amigo Max. Faz tempo que não o vejo.

    - Ele está trabalhando muito. Ontem ele me contou que você não é Japonesa.

    - Desculpe. Sou vietnamita.

    - O Max me contou. Por que você mentiu para mim? Não acredito mais em você.

     

    - Mas… Yago…

    - Nos vemos, Yedi. Adeus.

    A partir daquele dia, Yedi comprou lentes azuis, colocou silicone e pulou de bungee jump. Bebeu vinho com chuva e tomou banho de porta aberta. Fez tatuagem daquela flor que ela não sabia o nome. Publicou seus versos em blog e twitter e fez curso de francês e teatro. Trancou a faculdade de comunicação.

    Foi ao Cartório mudar de nome. Passou a chamar-se Ieda. Fez depilação a laser e topless na praia. Certa noite se jogou na frente do metrô, da estação Liberdade, fingindo estar num filme onde o Superman salvaria a jornalista Lois Lane. Mas Yago não veio.

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    Caio "Caiocito" Campos também mantém o blog Dublês de Poetas.

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