• A arte e suas trocas em ambientes digitais

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    Absorvendo conceitos de marketing e estratégias cada vez mais profícuas, a classe artística corre atrás de possibilidades já perdidas

    Pesquisa recente de uma agência digital de grande porte do Brasil, mostrou que um em cada três cidadãos, atualmente, tem acesso à internet. Obvio, o número contempla as mais variadas formas de conexão. De celular à lan houses, por exemplo.

    Fato é que, para além da métrica quantitativa, há ai um indicador muito menos pungente. Consumo, sociabilidade e educação estão entre aspectos a serem considerados quando o papo é inclusão, cidadania digital, participação etc. E nessa história, vale também acrescentar um campo específico: cultura e trocas simbólicas.

    Não é de hoje que as palavras internet e entretenimento caminham juntas. A propósito, uma das mais longínquas e balizadoras discussões refere-se à presença da indústria fonográfica, novos formatos de distribuição e consumo de música online. Ela também sintetiza comportamentos globais de usuários e tendências de mercado da indústria cultural.

    E nesse jogo todo, dois papéis assumem plano central. De um lado temos a figura do usuário. Consumidor, colaborador ou apenas leitores de conteúdo. Ao que parece, esta fatia do bolo é a mais bem resolvida. Cada vez mais exigente e consciente de seu papel, é responsável primário pelo diálogo com classe artística e a nova forma de divulgação da informação cultural. Dessa conversação surge a segunda figura: o lado da produção/divulgação dos bens culturais.

    Blogs, Myspace, Comunidades etc. Mesmo com infindáveis possibilidades de comunicação em ambientes digitais, não raramente artistas, agências e assessorias culturais caem num lugar-comum de estratégias e ações óbvias, incoerentes e sem foco reflexivo. Pensar as particularidades de um negócio tão complexo como Arte é tarefa multidisciplinar e exige conhecimento e dedicação exclusiva.

    Nessa história ressalto um exemplo: museus virtuais. Já se vão anos com promessas sobre a criação – ou transposição – de uma realidade física para a internet. As experiências foram diversas. Da simples disponibilidade de imagens do acervo às fotografias 3D. Mas pensar artes plásticas sobre este aspecto envolve inúmeros fatores. Do ponto inicial, na própria concepção da obra e possibilidades de apropriação do suporte digital, passando por sua exibição e consumo. O artista precisa encarar a utilização de novas ferramentas criativas e o surgimento de um espaço digital, orientando sua obra a este meio.

    Em contraposição à realidade das artes visuais, vale registrar exemplos de Teatro e literatura. O primeiro campo, inicialmente, penava por tentar aplicar a mesma lógica de vivência física, sensorial, a ambientes virtuais. Cientes do papel fundamental das casas teatrais, companhias passaram a investir numa estratégia mais virtuosa. A criação de blogs por espetáculos e processos criativos. Quem cobre agenda cultural percebe muito bem isso. Hoje, é quase inexistente uma peça que não tenha um blog como diário de produção. Ali, há troca de impressões, fotos e conteúdos que auxiliam não somente na produção, mas também na conversação com o público, que agora é ao mesmo tempo comunidade e colaborador. A literatura vem apostando na mesma estratégia. Blogs de autores para acompanhar seu processo de escrita e mais recentemente a presença virtual de editoras, seja com sorteio de livros pelo twitter ou através de blogs com reportagens correlacionadas e “vídeo-leituras”.

    Fato é que se esboça um devir digital aí, com um marketing cultural muito mais atento a tendências e ideias de outros campos de atuação e, sobretudo, aberto para o diálogo com o público e reconfiguração de si mesmo.

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