• Um panorama em Outras Mulheres, antologia de Charles Kiefer

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    Outras Mulheres, antologia de contos é alento para a literatura brasileira

    Em um momento em que a literatura se encontra negligenciada e afastada da posição central que um dia já teve na vida cultural das sociedades letradas, em que pautava as discussões e reanimava a reflexão sobre a condição humana, nada é mais importante do que a renovação a partir de uma seleção criteriosa feita por aqueles que respeitam o labor literário e reconhecem sua importância e seus efeitos nas diversas dimensões da vida cotidiana.

    Nesse sentido, Outras Mulheres, coletânea de contos organizada por Charles Kiefer, surge como novo alento à  produção literária e reafirma a necessidade de reaproximação da literatura, que nas últimas décadas manteve-se alheia do mundo ao qual pertence, encerrada em fórmulas e submersa no pedantismo intelectual que contribuiu unicamente com o isolamento dessa arte tão importante numa bolha formada pela academia, pela crítica e pelos próprios escritores.

    Outras Mulheres é uma antologia madura e significativa da literatura contemporânea brasileira. Histórias comuns, ressignificadas pela subjetividade de quem as observa e narra, as dimensões da vida pessoal no ambiente urbano, os desejos escondidos provocados pelo contato com o outro, alegorias acerca da história da mulher, a solidão da memória, a mulher no campo, o amor e a morte são apenas alguns dos temas abordados nos contos que carregam pelo menos um traço em comum: a sensibilidade feminina.

    É importante dizer que essa sensibilidade não pressupõe delicadeza nem fragilidade. O que se quer dizer com isso é que a obra foi construída a partir da perceptibilidade de autoras mulheres, o que não significa que haja uma homogeneidade nos contos.

    Na verdade, o que se percebe na organização de Charles Kiefer é a diversidade no gênero e, por isso, não seria tão adequado rotulá-la, limitando-a, como se isso fosse necessário para classificá-la, separá-la ou mesmo aceitá-la.

    A obra garante sua própria autonomia como um trabalho literário de qualidade; tem o frescor da juventude plena de ânimo e a contemplação reflexiva da experiência. Isso se pode notar pelos detalhes dos contos e também pela diversidade inevitável que existe quando se reúne em uma só obra o trabalho de 16 escritoras gaúchas, cada uma com sua história e singularidade na maneira de reconstruir o real.

    Como toda compilação, o leitor poderá  ou não gostar da seleção. Alguns contos serão mais tocantes, outros darão ainda a impressão de escritor em formação, mas o fato é que Outras Mulheres é uma ótima oportunidade de entrar em contato com um olhar novo e diferenciado da futura geração de escritoras brasileiras.

    detalhes

    KIEFER, Charles (org.). Outras mulheres. Porto Alegre: Dublinense, 2010. 142 páginas. Mais informações pelo site da Dublinense.

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    Anda perdido pelos caminhos da ficção, tem ideias subversivas, ânimo incerto e um relacionamento aberto com o Cinema, as Letras e a Comunicação. Gosta de vozes femininas e imagens escondidas. Erra com as palavras e não raramente tropeça numa verdade. É jornalista e mestrando em Teoria da Literatura. - Leia outros textos de

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