• Torcendo o nariz para o Ipad

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    Temos aqui um interessante vislumbre de futuro, onde o Ipad ocupará o lugar de livros e revistas. Já imaginou como seria?

    Essa semana pude acompanhar pela televisão a fila de pessoas frenéticas, ansiosas e se descabelando para adquirir sem nenhum dia de atraso o mais novo lançamento da Apple, o Ipad. E o que isso nos diz respeito? Dizem por aí que esse novo gadget vai ser o messias tecnológico que veio para finalmente libertar as pessoas do cavernoso hábito de ler livros.  Através da leve planilha digital, o usuário vai poder baixar Tolstoi, Chesterton, Jane Austen, Camões, Proust, Dostoievsky, além de revistas, jornais e Dan Brown, fazendo com que seja possível descartar de vez o papel, que dá mofo e destrói o meio ambiente.

    E eu fico pensando: será que é mesmo o fim das estilosas bibliotecas particulares e do peculiar relacionamento físico entre um ser humano e seus livros? Particularmente, eu gosto dos meus empoeirados e retrógrados exemplares, assim como muita gente por aí pelo mundo. Mas quem sou eu para lutar contra a revolução mundial da informação? Se o Ipad ou algo parecido for mesmo substituir os livros, não há muito o que fazer.

    As pessoas que preferirem não se modernizar vão passar a formar cultos geek de leitura que eu posso comparar com, por exemplo, gente que hoje se reúne para jogar Atari ou fazer Sarau de poesia.

    Ou então nada disso vai acontecer e os livros vão continuar sendo objetos/barata, que assim como o cascudo inseto sobrevivem aos mais intempestivos desafios sociais. E essa galera insana que correu para as lojas Apple para comprar o Ipad como se não houvesse amanhã vai se arrepender e sofrer infinitamente por ter gastado com isso um dinheiro que não lhes faz falta alguma.

    Eu prefiro esperar quietinha, ou pelo apocalipse literário, ou por uma versão melhor e mais barata do tal Ipad, que vai sair, tipo, semana que vem.

    detalhes

    Renata escreve para a coluna Literalmente sempre que a intensa rotina de leituras lhe dá tempo.

    autor

    Jornalista, apaixonada por cultura, viagens e literatura. Tem vários cachorros. É cosmopolita e também apreciadora da natureza. Se considera cidadã do mundo e quer sempre conhecer mais sobre diferentes culturas e opiniões. Siga no Twitter ou visite seu blog, Ótimas Mentiras. - Leia outros textos de

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