Uma poema em prosa ou vixe e verso
Por: Caio Campos, em Colunas, Dublês de Poetas | Nenhum comentário

“Vocês não conhecem a brutalidade poética. Algo comparado ao He-man e She-ra fazendo amor e gemendo em mandarim”
Criticar é praticar hipismo sobre estátuas históricas
Meu ateliê de lolitas está envelhecendo
Esse apetite pela verdade virou uma úlcera
Escrevo isso em verso e prosa pequena
Porque em verdade é uma grande porra
Pairei acima de um bistrô de típicos
Quisera eu debochar dessa coisa toda
Viciada, diluída e preguiçosa
Um brechó de puta pobre
Quisera eu nesse passado mais que perfeito me perfazer
Um monóculo representa minha semiótica
Um binóculo aumenta minha visão debaixo d’água
Vejo três metros além da profundidade padrão
Isso é o que vale a dois quilos de Darcy Ribeiro
Continuo a procurar filosofia em cabeça de Marilena Chauí
O caos vem bater na minha porta
Tão sedutor quanto o ar das seis da manhã
E quando menos espero, uma desconfiança Pierre levyana se esvai do céu da boca
E fraciona meu lábio inferior
Vocês não conhecem a brutalidade poética
Algo comparado ao He-man e She-ra fazendo amor e gemendo em mandarim
Felicidade são nuvens que se formam sobre as pálpebras
Estou atônito como quem vê o contra
Ele tem olho azul, e a princípio me pareceu ser de família
É educado e não puxa assunto com gente de rua
Opinião, dizem as sogras, se mastiga de boca fechada
Opinião de boca fechada causa soluço ao mais próximo
A barriga ronca, a cabeça dói, o sol pinica a pele debaixo da roupa
O banco da praça já recebeu aproximadamente uns cem cus, só pelo horário
Não deve ser fácil ser alemão por essas bandas
Não existe niilismo na terra do sol
Abrem-se mais blogs do que aspas
Contesto querer achar algo além de uma lápide no meio do trânsito
Xeque mate contra o tabuleiro inteiro
Escrevo como quem canta o trecho “imagine all the people”
E agora Adorno faz o maior sentido
O que perde o sentido se torna mais adorno
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Caio Campos também escreve no blog Dublês de Poetas.
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