Sociedade do controle e o compartilhamento
Por: Salomão Terra, em Colunas, DotArt | Nenhum comentário

Da sociedade disciplinar para a sociedade de controle. De Foucault para G Deleuze. Do analógico para o digital. Transações? Uma palavra démodé?
Não. Negação à prerrogativa de que a pós-contemporaneidade é espaço de transformações. Se uma das características mais significativas da sociedade disciplinar articulava-se em forma de vigilância, em contraposição ao já não tão eficaz modo de punição; na sociedade de controle, medo, julgamento e destruição fazem valer a pena reflexões internas ao indivíduo.
Mas o conceito de sociedade de controle, previsto por Deleuze, aplica-se sobretudo na esfera humana. Do controle exercido pelas pessoas, sobre outras, ou de si para si.
O que pensar sobre o fluxo de interações em ambientes digitais sobre essa perspectiva?
Bem, deixemos claro que talvez este seja o principal ponto sobre ataque nas atuais políticas restritivas sobre anonimato, compartilhamento de arquivos e crimes digitais.
Se no cerne do questionamento sobre a Sociedade de Controle encontra-se um indivíduo que se alto censura sob várias perspectivas, quando visto sob o ponto de vista da internet tem-se de ressaltar que a Rede foi concebida para que, mesmo sendo um espaço de controle, este acontecesse de forma automatizada, sem impositivos humanos.
Padrões de protocolo (conversas entre computadores em rede) presumem aspectos puramente estruturais. Ao compartilhar uma música, a única resposta seria “ok, arquivo enviado”. É básico e pragmático.
Mas eis que surgem os grandes aglomerados que extraem de um modelo antigo sua subsistência. Gravadoras, distribuidoras de filmes, agentes etc. Estes, tentando a todo o custo impor a uma lógica estrutural um modelo humano de dispositivos de controle. Imagine se ao ir à casa de um amigo e lhe emprestar um cd houvesse alguém lhes observando. Guardadas as proporções, a questão perpassa bem por ai.
E vale ressaltar que este ponto crítico envolve ainda cidadania, direito de expressão, espaço íntimo e esfera pública, além, óbvio, de interesses econômicos e antropologia.
Não sou a favor do rompimento das relações comerciais na web, mas há que se dizer que o processo de trocas simbólicas – e numa instância mais óbvia, a de arquivos – deve seguir a coerência contextual. Deixemos para Amazon, Submarino e afins a parte econômica. Enquanto isso, utilizemos do espaço de redes P2P’s, por exemplo, como uma possibilidade de fuga ao talvez já defasado conceito de Sociedade de Controle.
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A coluna dotArt tangencia pontos comuns à arte e web
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