Have One On Me é o novo disco de Joanna Newsom
Por: Cássio Lignani, em Música, Review | Nenhum comentário

Artista versátil e original, a harpista, pianista, cantora e compositora Joanna Newsom traz em seu novo disco, Have One On Me, toda a pluralidade característica de seus dois primeiros álbuns, The Milk-Eyed Mender (2004) e Ys (2006), que a torna musicalmente difícil de ser definida e fácil de ser apreciada. Isso porque sua música mescla indie, folk e experimental com todo o lirismo clássico e arcaico provocado pelo som da harpa.
Have One On Me é um trabalho que merece destaque desde sua concepção. Lançado como álbum triplo com 18 faixas, seis em cada disco, a duração total das músicas é de mais de duas horas.
O disco possui canções curtas, como em The Milk-Eyed Mender, e longas, como em Ys, com faixas que chegam aos nove minutos de duração – no álbum Ys, as músicas têm em média mais de 10 minutos. Não fosse por ser triplo, o disco poderia ser considerado, pelo menos no que diz respeito a seus aspectos formais, um ponto de equilíbrio entre seus dois álbuns anteriores.
O que mais chama atenção em Have One On Me, no entanto, são os vocais. A voz de Joanna Newsom está mais suave, profunda, consistente e contida, sem o estridente característico presente em algumas das músicas mais conhecidas da cantora, como Peach Plum Pear e Sprout And The Bean.
A maioria das canções evidencia um maior destaque à voz e à harpa, ainda que nelas haja uma adição discreta de outros instrumentos de sopro, cordas ou percussão. Essa, no entanto, apesar de predominante, não é a única característica do álbum.
Canções como Easy, Have One On Me e Good Intentions Paving Company, todas do primeiro disco, têm uma condução progressiva e contam com arranjos variados e bem orquestrados, com coro e presença de vários instrumentos. Essas canções antecedem e interrompem a dimensão lírica que vai permear toda a obra.
O segundo disco se mantém coerente ao primeiro, com músicas que alternam momentos brandos de valorização dos poucos mas expressivos elementos da música, com movimentos mais ousados e cheios de sonoridade.
O terceiro e último disco encerra a obra com maestria. A sequência, iniciada pela música Soft Chalk, que tem o mesmo equilíbrio do segundo disco, é interrompida pelas canções Esme, Autumm, Ribbon Bows e Kingfisher, nas quais predomina o minimalismo lírico da voz e da harpa de Newsom.
Para fechar o álbum, a escolha da faixa Does Not Suffice não poderia ter sido melhor. A música, que fala sobre um momento de despedida, é conduzida leve e melancolicamente apenas pelo piano e pela voz de Newsom.
Escute 81, uma das músicas de Have One On Me:
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