Secos e Molhados com Santa Ceia musical
Por: Priscila Armani, em Colunas, Fast Cult | Nenhum comentário

No auge da Ditadura Militar, a comida ocupou seu lugar na política. Em princípio, era usada para disfarçar a censura, quando receitas de bolo e outros quitutes eram publicadas nos jornais para ocupar lacunas deixadas pelos censores.
Depois, chegou à capa de um dos discos mais significativos do período: "Secos e Molhados", de 1973.
E nesse disco encontramos um uso muito sábio dos alimentos como forma de crítica velada ao período.
Os quatro pratos principais dispostos na mesa são as cabeças dos integrantes da banda.
No primeiro plano, temos uma rosca, um pão. Ao centro e ao fundo, garrafas de vinho. Pão e vinho nos remetem à Santa Ceia e à divisão do pão entre os apóstolos. A Santa Ceia trata também de traição, visto que é a última refeição de Cristo antes de Judas traí-lo.
Abaixo das duas primeiras cabeças, o feijão, em abundância, grão que alimenta a população brasileira.
Ao fundo, cebolas e mais cebolas, que provocam lágrimas em quem as descasca. As duas cabeças do fundo não tem feijão por baixo. E suas caras são como a fome. A falta do feijão e a abundância de cebolas e vinho também é bem significativa.
Vinho é sangue, sangue do Cristo e também daqueles que morreram devido às torturas, cujas cabeças foram caçadas e entregues em bandeja de prata ao General Emílio Garrastazu Medici.
detalhes
Saiba mais sobre o Secos e Molhados no site oficial da banda.
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